Separação – Um problema para os filhos

Atualmente é comum vermos casais que se casam e por vários motivos procuram o divórcio. Mas será que essa separação provoca algum efeito nas crianças?

A resposta é sim. E abaixo veremos alguns dos “efeitos emocionais” ocasionados nas crianças de pais divorciados.

  • Desilusão;
  • Medo;
  • Ira;
  • Tristeza.

Desilusão: A criança por não compreender ao certo o que está se passando em sua família, fica confusa e desiludida. Em alguns casos o divórcio tem mais probabilidade de causar confusão e transtorno do que solução para o problema. Na escola, por exemplo, a criança começa a apresentar grandes dificuldades em prestar atenção no que está sendo dito e explicado, passando a maior parte do tempo tentando entender as suas circunstâncias, levando-as a dificuldades escolares. Em muitos casos a criança pensa: “Quem vai tomar conta de mim?”.

Medo: A criança muita das vezes tem medo de ser abandonada . Já que um dos pais foi embora, a criança imagina que ela também será abandonada, ficando angustiada e temerosa. Sua mente se inquieta com esquemas nebulosos para apaziguar quem tem a custódia ou atrair o outro o manipulando. Algumas crianças quase não dormem ficando atormentadas com sonhos de abandono e acordam chorando durante a noite com esse pesadelo, que podem perdurar por dias ou semanas. A escola deixa de ser um atrativo e a criança começa a temer que a sua vida nunca mais seja a mesma. É muito importante neste momento que os pais, mesmo que separados tentem apaziguar ou acalmar os temores dos filhos.

Ira: Geralmente os filhos de pais separados também é uma criança zangada, devido a situação estranha que são obrigados a enfrentar. A criança ou adolescente, pode pensar que o divórcio dos pais é injustificado e se ressentir com as mudanças que vão ter lugar na sua casa, nos seus estudos e na sua vida por completo. Sua ira provavelmente dará lugar à amargura e vergonha. O respeito que tinha pelos que se achavam em posição de autoridade tende a desaparecer. Sua atitude e disposição podem mudar ou flutuar loucamente, não fazendo mais os deveres de casa ou até faltar à escola, sendo até possível que a ira venha corroer tanto a criança a ponto “devorar” seu desejo de aprender e crescer.

Tristeza: O filho de pais divorciados é algumas vezes uma criança triste, sofrida. A perda de um dos pais por causa do divórcio pode ocasionar um sofrimento maior na vida da criança do que quando um dos pais morre. Uma parte significativa do luto da criança resulta da compreensão penosa de que o pai que se divorciou deve ter decidido abandona-la. A criança com o coração partido não tem interesse em livros ou números; seus pensamentos se concentram freqüentemente no pai ou na mãe que não vai mais volta para casa.

Sendo inevitável a separação, os pais devem dar apoio aos filhos, pois cada criança irá reagir ao divórcio dos pais de maneira individual, apresentando esses sintomas em maior ou menor grau. A criança deve entender o motivo da separação para que seja amenizados os efeitos negativos da separação na mesma.

É provável que essas crianças tenham mais problemas escolares, mais probabilidades de envolver-se com bebidas e drogas e cometer o suicídio, do que crianças em que os pais se mantiveram juntos. Por isso é muito importante que se converse com a criança ou adolescente no processo de separação e procurar um especialista para que a criança não se sinta abandonada.
Importante ressaltar que ao conversar com a criança não deve incluir detalhes sórdidos, falar mal do outro cônjuge, ou qualquer outra coisa que saia do ponto principal que é “papai e mamãe não vão mais morar juntos, porque eles não querem mais ficar casados e isso implica…”.

Outro ponto importantíssimo é a possibilidade dos pais separados encontrarem um companheiro ou se casarem novamente. A criança pode reagir de duas formas, dependendo de como isso será passado para ela.

  • Reagir com alegria e aprovação. Contrariando as expectativas, algumas vezes a criança fica feliz ao saber que o pai ou a mãe vão se casar novamente seja porque em algumas situações “tira o peso dos ombros” dela, que tinha que arcar co a solidão afetiva do pai ou da mãe, ou porque em sua maioria as crianças alimentam a fantasia de juntar, reunir e de ter uma família novamente.
  • Reagir mal e sem aprovação. Algumas vezes o novo parceiro dos pais separados, não são bem aceitos pelos filhos. Isso acontece porque de alguma forma a relação da criança com esse cônjuge esta ameaçada, insegura e essa nova situação acaba gerando ciúmes, medo e insegurança. Por isso é muito importante esclarecer a nova situação à criança de forma clara, afetiva e sem culpa.

Então, a partir do momento que os pais começarem a entender os sentimentos dos filhos, respeitar, acolher e encoraja-los, estarão mostrando à eles que a vida está sempre mudando e que as mudanças hora podem ser positivas, outras vezes negativas, pois o novo, o que sai da nossa rotina, do nosso cotidiano sempre causa medo mas que devemos aprender a lidar com elas. E quem sabe mudar para lago melhor.

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Referências Bibliográficas

Fitzpatrick,E & Cornish,C – Mulheres ajudando mulheres – 2ª Edição 2002 – Rio de Janeiro – RJ – Tradução Neyd Siqueira – Editora CPAD.
Revista Psicologia Brasil – São Paulo 2005 – artigo Como ficam os filhos quando os pais se separam? – Luciana Aguiar.

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