Depressão não é frescura

A depressão não é somente um humor depressivo, mas a isto está associado às alterações de humor, psicomotricidade e algumas variedades de distúrbios somáticos e neurovegetativos.

Se você apresenta cinco dos sintomas abaixo, durante 2 semanas no mínimo, procure um especialista, pois você pode estar com depressão.

DSM-IV-TR 2002

  • Humor deprimido na maior parte do dia;
  • Interesse ou prazer acentuadamente diminuído por todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias;
  • Perda ou ganho de peso significativo, sem uso de dietas. Em crianças, considerar falha em apresentar ganho de peso esperado;
  • Insônia ou Hipersonia;
  • Agitação ou retardo psicomotor;
  • Perda de energia, fatigabilidade;
  • Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada;
  • Diminuição da capacidade de pensar e concentrar-se, ou indecisão;
  • Pensamentos recorrentes de morte, suicídio.

A depressão não escolhe idade para entrar em ação. Ela não pede licença. Basta um pequeno evento na vida de alguém com pouca ou nenhuma experiência com a depressão e esta já se instala. Às vezes por pouco tempo, às vezes por meses e há casos em que a depressão permanece por anos e nem as crianças, assim, estão livres dos males causados por este desconforto psicológico.

Algumas coisas podem contribuir para que a depressão apareça, dentre elas podemos citar:

  • Pensamentos Negativos;
  • Tensão,
  • Ira;
  • Culpa.

Esses fatores, vividos intensamente, podem levar a depressão, sem que a pessoa perceba.
José Faustino Albuquerque, em seu livro “A cura para as doenças da alma” 2003 explica esses fatores que levam a depressão:

Pensamento Negativo

Já falamos aqui no site sobre a Química do Pensamento Negativo. As pessoas mostram pensamentos negativos em três áreas:

  1. Observam o Mundo e as experiências da vida como fardos pesados, obstáculos difíceis de serem vencidos e derrotados num mundo que se “vai por água abaixo”;
  2. Normalmente as pessoas deprimidas possuem uma auto-imagem negativa. Sentem-se inadequadas, deficientes, indignas e incapazes de agir eficazmente. Estas atitudes podem levar a auto-acusação e autopiedade;
  3. Pessoas nessas condições encaram o futuro de forma negativa. Sempre divisam dificuldades, frustrações e desesperanças contínuas.

Esta maneira negativa de pensar pode ser tanto causa como efeito da depressão.

Tensão

As tensões estimulam a depressão e especialmente quando acarretam perdas de oportunidades, de emprego, posição social, saúde, liberdade, uma competição, bens ou outros objetos de estimação, perda de pessoas por morte, divórcio, separação prolongada. Estes são acontecimentos penosos e eficazes para produzir a depressão.

Ira

A explicação aceita para depressão, mais antiga é a ira voltada para dentro. Crianças quando são levadas para lares ou escolas que não permitem a manifestação da ira, pessoas que frequentam igrejas onde o sentimento de ira é tido como pecaminoso, a ira renegada e mantida dentro de si levando tais pessoas a sentirem-se frustradas e ressentidas e cada vez mais cheias de ira, pois a ira se inflama em oculto e certamente causa destruição.

Culpa

Quando uma pessoa sente que falhou ou fez algo errado surge à culpa, autocondenação, frustração, desesperança e outros sintomas de depressão. A culpa vive de mãos dadas com a depressão e normalmente é até difícil dizer qual delas surge primeiro. Talvez na maioria dos casos a culpa venha antes da depressão, mas às vezes, esta última faz com que o indivíduo sinta-se culpado (por parecerem incapazes de “sair” do desespero). Em qualquer caso forma-se um círculo vicioso (a culpa causa a depressão que provoca maior culpa e assim por diante).

E para a depressão passar do emocional e começar a agir no físico, não demora, pois começa a “destruir” os sentimentos e afetando o corpo. É quando começam a surgir variadas doenças originadas por problemas emocionais.

  • Angina (dor no peito);
  • Arritmia;
  • Espasmos Coronários;
  • Enfarto;
  • Asma;
  • Hipertensão Arterial;
  • Dor de cabeça;
  • Eczema;
  • Urticária;
  • Obesidade;
  • Úlcera apéptica, dentre outros.

Como podemos observar, a depressão é um grande mal, podendo levar até a morte. Sendo considerada a quarta causa de morte por suicídio no mundo.

E ao contrário do que pensamos, as crianças são alvos fáceis para a depressão. As súbitas mudanças de comportamento nas crianças são de extrema importância, quando a conduta se altera abruptamente, de modo inexplicável. Aí está o perigo, pois crianças que antes eram adequadas e adaptadas passam a apresentar condutas irritáveis, destrutivas e agressivas, com violação de regras sociais que anteriormente eram aceitas.

Quem poderia imaginar que por detrás da tristeza ou da hiperatividade de uma criança se escondem sintomas depressivos?
Muitas vezes por terem dificuldades de expressarem o que estão sentindo, começam a apresentar sintomas psicossomáticos que podem ajudar a definir os estados de depressão em uma criança.

Se você perceber em seu filho alguns dos sintomas abaixo, fique atento, pois ele pode estar passando por problemas.

  • Choro e Gritos excessivos sem motivos aparentes;
  • Urinar na roupa mesmo depois de ter aprendido ir ao banheiro;
  • Fazer cocô na roupa mesmo depois de ter aprendido ir ao banheiro;
  • Irritabilidade;
  • Agitação;
  • Falta ou excesso de sono;
  • Sem apetite ou com muito apetite;
  • Impulsos Suicidas.

Por tanto, se você ou alguém que você conhece está passando por este problema ajude-o, fornecendo apoio, pois nessas horas a pessoa necessita de apoio de pessoas queridas, ao perceberem que não se encontram sozinhos os indivíduos em depressão conseguem resistir melhor. Levando-os a procurar ajuda de um profissional, psicólogo, psicanalista ou psiquiatra, que são profissionais treinados para auxiliar no combate desse mal.

Tratamento

Devido as alterações no relacionamento e alterações de humor, o primeiro cuidado que deve ser tomado sendo de extrema importância é a interação social, visando a readaptação da pessoa ao seu meio.

O próximo passo são as intervenções psicoterápicas, pois o psicólogo visará o favorecimento da evolução do quadro e adaptação da pessoa inserindo-a em seu contexto familiar e social.

No entanto, em alguns casos agregados a psicoterapia ocorre a introdução de medicamentos para maior eficácia.

O plano de tratamento será ministrado de acordo com as condições do paciente, na presença do risco de suicídio é recomendável a hospitalização, para preservar a vida da pessoa, passando essa faze de risco, retorna a casa e continua com o tratamento psicoterápico e medicamentoso.

Referências bibliográficas

ALBUQUERQUE, José F. – A Cura para as doenças da alma – Ed. Pão e Vida, São Paulo 2003
CURÁTOLO, E. & ASSUMPÇÃO Jr., F.B. – Psiquiatria Infantil: Guia prático – Ed. Manole 2004