Medo de Dirigir – Um olhar da Psicologia sobre Amaxofobia

Certamente você conhece alguém que mesmo tendo tirado a carteira de motorista (CNH), não consegue tirar o carro da garagem, ou sair com o carro para dirigir. Talvez até dirija, mas sofre demais com o estresse, chegando a suar muito molhando a roupa e tendo que trocá-la ou de tão tenso que fica que acaba por ficar com dores pelo corpo.

Identificou alguém assim? Pois bem esse medo tem nome e se chama Amaxofobia.

A Amaxofobia faz parte dos Transtornos de Ansiedade, sendo classificada como uma Fobia Específica. AMAXO (carro) FOBIA (temor).

Assim como em outros transtornos a Amaxofobia, possui níveis ao qual especificaremos abaixo:

  • NÍVEL LEVE: a pessoa apresenta apenas uma relutância em dirigir, mesmo assim ainda consegue sair com o carro;
  • NÍVEL MODERADO: toleram dirigir, porém com alto nível de estresse;
  • NÍVEL GRAVE: evasão completa de condução e andar como passageiro de um veículo.

De forma geral essas pessoas subestimam as suas próprias habilidades e acreditam que outras pessoas estão observando e avaliando o seu comportamento e erros.
Reconhecem que o medo que sentem é irracional e excessivo.

Algumas pessoas temem situações diversas, no trânsito por isso se utilizam dessas apreensões para não conduzir seus veículos. Para ficar mais fácil a identificação listamos algumas situações temidas:

  • MEDO EM RELAÇÃO À VIA PÚBLICA: como conduzir em rodovias, túneis, pontes, ruas íngremes, intersecção, estacionar, ficar em engarrafamento, mudar de faixa, dirigir em tráfego intenso, dirigir em lugares desconhecidos, ficar perdido;
  • MEDO EM RELAÇÃO AO VEÍCULO: ter problemas mecânicos, um carro mais potente que o seu. Necessidade de dirigir em alta velocidade e de perder o controle na direção;
  • MEDO EM RELAÇÃO ÀS CONDIÇÕES CLIMÁTICAS: como conduzir com chuva, vento, granizo, neblina e a noite;
  • MEDO EM RELAÇÃO AOS ASPECTOS PESSOAIS E SOCIAIS: Como a necessidade de uma reação rápida e inesperada e não conseguir executar essa ação, de atrapalhar o trânsito, sofrer um acidente de trânsito, sofrer uma lesão, ferir alguém, ser criticado por outras pessoas;
  • MEDO EM RELAÇÃO A RECEIOS PSICOLÓGICOS: Sentir muita ansiedade, apresentar uma situação corporal ou mental intensa e desagradável e sofrer um ataque de pânico.

A pessoa com medo de dirigir, assume comportamentos mal adaptativos de segurança, na tentativa de se proteger dos perigos imprevistos de quando dirige.

Sintomas Fisiológicos Intensos e Relatados

  • BATIMENTO CARDIACO ACELERADO;
  • TRÂNSPIRAÇÃO EXCESSIVA;
  • TREMEDEIRA;
  • CALORES OU CALAFRIOS;
  • DORES DE CABEÇA;
  • FORMIGAMENTO NOS MEMBROS (MÃOS E PERNAS).

Sintomas Cognitivos

  • MEDO DE ERRAR;
  • MEDO DE CAUSAR ACIDENTE;
  • MEDO DE PERDER O CONTROLE DA SITUAÇÃO.

Sintomas Psicológicos e Sociais

  • AFLIÇÃO;
  • VERGONHA DAS OUTRAS PESSOAS;
  • VONTADE DE DESISTIR;
  • VONTADE DE CHORAR;
  • DIFICULDADE DE CONCENTRAÇÃO.

A predominância desse medo de direção ocorre nas mulheres, entre a faixa etária dos 35 a 55 anos, geralmente que aprenderam a dirigir tardiamente, entre 20 a 30 anos e resistem buscar tratamento.

O medo de dirigir muitas vezes limita a liberdade da pessoa e a autonomia (principalmente se engloba estar em qualquer veículo automotor).

Prejudica a produtividade. Impacta a autoestima, causando sentimento de frustração e incapacidade e constrangimento social.

Diminui a qualidade de vida, principalmente se estiver associado à comorbidades (depressão, ansiedade e pânico).

Outros quadros associados ao medo de dirigir estão os transtornos, tais como: TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO, FOBIA SOCIAL, TRANSTORNO DO PÂNICO, AGORAFOBIA E TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO Tipicamente o medo de dirigir não diminui ou se torna assintomático com o tempo, para isso a pessoa necessita de um acompanhamento profissional.

Então não ignore qualquer sintoma que você esteja sentindo, o que para muitos possa parecer “bobagem”, para você pode modificar sua vida.

Entenda, você é um ser único.

Semana Nacional de Trânsito 2017

Um dos temas que abordamos aqui no site e que temos como principal foco, é o trânsito. O trânsito está em nosso dia-a-dia e ele é responsável também por muitos transtornos. Essa semana é comemorada a Semana Nacional de Trânsito, onde uma série de ações são promovidas a fim de promover a segurança, a educação e o bem estar no trânsito.

Notícia publicada originalmente no site http://portaldotransito.com.br por Mariana Czerwonka.

A Semana Nacional de Trânsito é comemorada anualmente entre os dias 18 e 25 de setembro. Este ano o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) definiu como tema a ser trabalhado pelos órgãos do Sistema Nacional de Trânsito e pela comunidade  “Minha escolha faz a diferença no trânsito”, tema que acompanha a evolução das ações de campanha de educação de trânsito do Denatran de anos anteriores, e acompanha as ações da “Década Mundial de Ações Para a Segurança do Trânsito – 2011/2020”. A principal finalidade, segundo o Contran, é conscientizar o cidadão de sua responsabilidade no trânsito, valorizando ações do cotidiano e visando a participação de todos para o alcance da segurança viária.“No trânsito, boas atitudes entre condutores e pedestres têm o poder de promover o respeito e a cidadania. É essencial saber agir corretamente frente às diversas situações do dia a dia no trânsito, reconhecendo e alterando maus hábitos e posturas negativas”, explica Celso Alves Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal.

Prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a Semana Nacional de Trânsito tem a finalidade de conscientizar a sociedade, com vistas à internalização de valores que contribuam para a criação de um ambiente favorável ao atendimento de seu compromisso com a “valorização da vida” focando o desenvolvimento de valores, posturas e atitudes, no sentido de garantir o direito de ir e vir dos cidadãos. “Quem convive diariamente no trânsito precisa empenhar-se para proporcionar um ambiente de qualidade e, mais do que exigir dos outros, deve comprometer-se a fazer a sua parte”, diz Mariano.

Ações

De acordo com o Contran, diferente de anos anteriores em que o tema era trabalhado apenas em setembro, a campanha deverá se estender por todo ano de 2017.

“Não basta trabalhar o tema apenas durante uma semana, é muito importante que a abordagem se estenda durante todo o ano, contribuindo para uma efetiva mudança de comportamento da população”, finaliza Mariano.

No Portal do Trânsito você poderá acompanhar a programação da Semana Nacional de Trânsito nas principais capitais brasileiras.

Veja outras notícias sobre o tema no Portal do Trânsito:

Educação para o Trânsito: De quem é a responsabilidade?

Contran define tema a ser trabalhado durante todo o ano e não só na Semana de Trânsito

 

 

 

O Que é a Psicologia do Trânsito?

Resumo: A psicologia do trânsito é uma área de conhecimento que tem a finalidade de estudar o comportamento humano no contexto do trânsito, a partir de uma investigação dos processos externos e internos, e os fenômenos conscientes e inconscientes que ocorrem nesse contexto. Desse modo, neste artigo objetiva-se explanar uma visão acerca do que se configura a psicologia do trânsito, entender o comportamento no trânsito, promover uma discussão sobre essa área no Brasil e esclarecer o que faz esse profissional e suas competências. Nesse sentido, entende-se que essa é uma área em ascensão e que tem ampliado o seu universo de atuação com base no compromisso social de estabelecer uma relação de harmonia entre o sujeito com o meio ambiente.

Palavras-chave: Psicologia do trânsito, trânsito, comportamento no trânsito

Considerações Iniciais

A psicologia do trânsito é uma “área da psicologia que investiga os comportamentos humanos no trânsito, os fatores e processos externos e internos, conscientes e inconscientes que os provocam e o alteram” (Conselho Federal de Psicologia, 2000, p. 10).

Essa é uma área da psicologia que vêm crescendo e ganhando visibilidade no meio científico nos últimos anos, pois o psicólogo torna-se figura indispensável no entendimento do comportamento no trânsito, bem como nos processos de avaliação psicológica que são realizadas a fim de estabelecer uma concessão no que diz respeito às práticas e direitos de conduzir veículos.

A esfera de estudo da psicologia do trânsito é constituído de três sistemas principais: o homem, a via e o veículo. Sendo o homem o subsistema mais complexo e, portanto, tem maior probabilidade de desorganizar o sistema como um todo. A psicologia do trânsito estuda os comportamentos humanos no trânsito e os fatores e processos internos e externos, conscientes e inconscientes que os provocam ou os alteram, de modo que engloba a todos os usuários, como pedestres, ciclistas, motoristas.

Deve-se considerar, ainda, que as graduações de psicologia, em aspectos gerais, não apresentam disciplinas específicas, cursos de aperfeiçoamento ou experiências que propiciem embasamento sobre a área, o que dificulta a expansão e crescimento desse trabalho. Desse modo, as produções e materiais acerca dessa temática ainda é um tanto escassa, o que dificulta na identificação e no trabalho de fomentar a psicologia do trânsito como um campo de atuação desse profissional.

No tocante à atuação do psicólogo do trânsito, foi publicada a Resolução 267/2008 do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) que estabelece, após 15 de fevereiro de 2013, somente os profissionais com título de especialista no trânsito reconhecido pelo CFP poderão atuar na área. Assim, alguns cursos de especialização estão surgindo a fim de atender tais demandas, e trazer visibilidade a essa área de atuação que começa a ganhar respeito na sociedade.

O Comportamento no Trânsito

O trânsito é considerado atualmente uma problemática das mais importantes do século XXI em função dos altos custos sociais e econômicos que geram, além dos sofrimentos incontáveis para vítimas e familiares decorrentes, principalmente, dos acidentes (IPEA, DENATRAN & ANTP, 2006; Ministério da Saúde, 2007; OMS, 2009). (SILVA, 2010).

O comportamento no contexto do trânsito é algo que abrange uma compreensão de todas as pessoas que se movimentam, isso independe da idade, do sexo, da condição sócio-econômica, profissão, ou nível de instrução. Esse campo envolve uma complexidade de fatores, e por assim dizer, não é muito fácil de ser estudado.

Para que se produzam comportamentos adequados no trânsito, são necessárias pelo menos três condições: a presença de estímulos que possam ser observadas e percebidas, um organismo em condições de perceber, uma aprendizagem prévia dos sinais e normas que devem ser seguidas. Ou seja, existe uma série de fatores em conexão que irão ser determinantes na totalidade dessa ação no trânsito.

Há fatores que são necessários ser compreendidos como formando um núcleo dentro do círculo dos processos, por um lado, ligados à memória e à aprendizagem e, por outro, à emoção, à motivação, à atitude e à personalidade. É importante compreender que este ciclo é contínuo, que é vida e não para um momento sequer, mas sua divisão em etapas nos clarifica seus eventos mais importantes.

A psicologia do trânsito, como psicologia aplicada, mantém contatos com as áreas da psicologia básica e especializada e como outras áreas da psicologia aplicada

A Psicologia do Trânsito no Brasil

De acordo com ROZESTRATEN (2006) a Psicologia do Trânsito surgiu como consequência de numerosas pesquisas em dezenas de institutos, laboratórios e centros de pesquisa nas últimas duas décadas. Podemos defini-la como o estudo científico do comportamento dos participantes do trânsito, entendendo-se por trânsito o conjunto de deslocamentos dentro de um sistema regulamentado.

No Brasil, a história da psicologia aplicada ao trânsito remonta à década de 1930, quando se iniciaram as primeiras aplicações de instrumentos psicológicos de orientação e seleção profissional dos futuros profissionais das ferrovias em São Paulo. Nas décadas posteriores, principalmente 1950 e 1960, em razão do avanço da indústria automobilística e do aumento da demanda por segurança, formação e orientação dos condutores, a psicologia do trânsito direcionou suas atividades para o transporte rodoviário, a fim de tentar frear o aumento nos índices de acidentes (Mange, 1956; Trench, 1956 citado por SILVA et al 2007).

Existem alguns obstáculos que impedem a psicologia do trânsito se firmar como tal, isto é, a participação no trânsito não é vista como um trabalho em si, mas como uma atividade mais ou menos rápida; a psicologia do trânsito é identificada como psicotécnico, e ainda não existe no Brasil nenhum cargo de Psicólogo do Trânsito nos órgãos do governo, isso faz com que existam pesquisas incipientes acerca da temática.

Esse conhecimento surgiu como intuito de estudar todos os comportamentos do homem no contexto do trânsito, desde o comportamento dos pedestres, dos motoristas (amadores e profissionais, do ciclista, do motoqueiro, dos passageiros e do motorista de coletivos, e ainda, de modo abrangente, aqueles que fazem parte dos sistemas áreas, ferroviários e fluviais de transporte. No que concerne à psicologia do trânsito ela tem como foco o estudo do comportamento do homem nas rodovias e nas redes viárias de urbanização.

A metodologia não difere essencialmente daquela usada nas outras áreas de Psicologia: ao lado de muitos estudos experimentais, realizados em laboratórios, tem sido desenvolvidos numerosos estudos observacionais feitos nas rodovias e nos cruzamentos urbanos, alem de análises pormenorizadas dos casos de acidentes. Entre o método de observação em situação real e o experimento no laboratório está o método que usa simuladores, estes últimos variando do mais simples ao mais sofisticado. Tem sido também utilizados em pesquisas, carros equipados com todos os registradores possíveis de movimentos e modificações fisiológicas durante a direção do veículo. Um primeiro carro deste tipo foi introduzido na França por G.Michaut, no Laboratoire de Psychologie de la Conduite de ONSER, em Montlhery, onde tive o prazer de estagiar durante um ano. (ROZESTRATEN, 2006).

Para fomentar seus estudos, técnicas e manejo, a psicologia do trânsito se comunica com diversas áreas de conhecimento, bem como a psicofísica e psicofisiologia, a psicologia do desenvolvimento, a gerontologia, a psicologia da motivação e da aprendizagem, a psicopedagogia, a psicologia social, etc.

O que Faz o Psicólogo do Trânsito?

Compete ao psicólogo do trânsito atuar nesse contexto com o intuito de desenvolver pesquisas como foco nos problemas psicológicos, psicofísicos, psicossociais no que tange aos problemas do trânsito; realizar exames psicológicos a fim de emitir um parecer para candidatos a Carteira de Habilitação Nacional; participar de programas voltados à prevenção de acidentes no trânsito; desenvolver trabalhos de educação no trânsito, estudar as implicações do alcoolismo e de outros distúrbios no contexto do transito; colaborar com a justiça e apresenta, quando necessário, laudos, pareceres, depoimentos, dentre outras funções.

Para Hoffmann (2005, p.22), a Psicologia do Trânsito constitui-se num “campo extremamente surpreendente no microcosmo do comportamento humano e na circulação viária, onde Psicologia Social, Psicologia Experimental e Psicologia Ambiental se encontram” porque os problemas, variáveis e pautas de pesquisa podem englobar, por exemplo, desde a pesquisa sobre a acuidade visual mínima indispensável a um motorista até a pesquisa sobre a representação social do automóvel feita por determinado grupo.

A expansão do campo de atuação dos psicólogos nos Departamentos de trânsito, incluiu, ainda, ações para prevenir acidentes; perícias em exames com motoristas objetivando sua readaptação ou reabilitação profissional e tratamento de fobias ao volante. Outro ponto que merece destaque é a inserção profissional de estudantes de psicologia através de estágios curriculares, propiciando experiência de aprendizagem (Departamento Estadual do Trânsito do Rio Grande do Norte, 2005; Alchieri, Silva, & Gomes, 2006).

Apesar de a psicologia do trânsito ser uma área em crescimento, necessita-se que as matrizes curriculares dos cursos de psicologia já que os graduandos, em sua maioria, não possuem disciplinas específicas e têm poucas oportunidades de estudar e produzir conhecimento que fomente a área.

Considerações Finais

À guisa de conclusão, pode-se considerar que a psicologia do trânsito sinaliza uma proposta de entendimento dos comportamentos individuais e sociais das pessoas no contexto do trânsito. Essa, ainda é uma área nova na psicologia, porém, desponta em avanços para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Nesse sentido, tem ganhado visibilidade no que diz respeitos às suas competências, que se expande a um universo muito mais abrangente do que simplesmente um processo de avaliação psicológica para condutores. Em suma a psicologia do trânsito oferece subsídios para garantir a todo sujeito melhores condições e maior segurança no trânsito, promove trabalhos para educação do trânsito e tenta despertar uma consciência crítica de todos aqueles que compõem o contexto do trânsito a fim de minimizar riscos e preservar à vida.

Fonte: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-do-transito/o-que-e-a-psicologia-do-transito © Psicologado.com